Sobre flúor, saúde, pesquisas e redes sociais…

De vez em quando essa história dos “anti-flúor” vem à tona e a polêmica reacende como se fosse a primeira vez…  E quando a informação aparece nas redes sociais a discussão vai looongeeee… E aí, para me manter atualizada, a galera me marca e manda direct 😉  Tks, pessoal 😀

Recentemente correu pelas redes (de novo!) informações sobre uma pesquisa feita em Harvard que recomendava a interrupção da fluoretação da água de abastecimento. Bem, como vocês sabem, essas coisas se espalham e os questionamentos sobre os benefícios do flúor aparecem por todo lado.

O grande perigo de ler só abstract de artigo e passar informações pela metade é o aumento da desinformação com consequente prejuízo para muitos. Parece que é o que acontece com frequência… 😦  Diversos órgãos oficiais e internacionais de saúde recomendam o uso do flúor desde bebê e as pequenas quantidades garantem o uso seguro da substância. 

Mas voltando à tal “pesquisa de Harvard” …  O  Prof Paulo Capel Narvai, que é uma autoridade em saúde pública esclareceu muito bem a questão em julho de 2016 sobre a pesquisa publicada em 2014 (olha como essa história rende até hoje…) em um texto postado pelo Jornal do Site. 

Disse o Professor: ” O artigo que deu origem aos questionamentos veiculados no Brasil é assinado por dois pesquisadores vinculados à Universidade Harvard, Philippe Grandjean e Philip Landrigan, e tem o título “Neurobehavioural effects of developmental toxicity”. Não se refere, portanto, à fluoretação da água, nem menciona o flúor como “neurotoxina”, conforme foi divulgado no Brasil. O trabalho, publicado em março de 2014, ocupa-se de “deficiências do desenvolvimento neurológico” e identifica 214 produtos químicos industriais que poderiam estar implicados com o aparecimento dessas deficiências. Ainda que o fluoreto não seja propriamente um produto químico industrial, foi incluído entre esses 214 elementos ou compostos químicos. Grandjean e Landrigan não dão maiores detalhes sobre por que o fizeram e, em seu artigo, apenas citam um estudo de revisão, do tipo meta-análise, realizado na China, que incluiu 27 pesquisas em que foram analisadas águas que, naturalmente, continham altos teores de fluoretos. Tais estudos analisaram a possível associação desses altos teores de fluoretos nas águas com prejuízos ao desenvolvimento cognitivo de crianças. Contudo, no artigo de 47 parágrafos dos pesquisadores da Universidade Harvard, o elemento flúor é mencionado e analisado em apenas um, ressalvando-se que foi considerada apenas a exposição a águas naturalmente fluoretadas com altos teores do elemento (superiores a 2,5 mg F/L). É preciso assinalar que efeitos adversos de fluoretos, quando há exposição a teores altos, são conhecidos há mais de 70 anos. Não há, nesse aspecto, nenhuma novidade na pesquisa feita em Harvard.” 

mulher estudando

E se quiserem evidência de que o flúor é benéfico para a saúde bucal de crianças, deixo aqui a referência da revisão sistemática (topo da pirâmide) dos Profs Ana Paula Santos, Paulo Nadanosvsky e da minha amiga Branca Vieira.
dos Santos AP, Nadanovsky P, de Oliveira BH. A systematic review and meta-analysis of the effects of fluoride toothpastes on the prevention of dental caries in the primary dentition of preschool children. Community Dent Oral Epidemiol. 2013 Feb;41(1):1-12.
Outro link sobre o assunto com texto disponível na íntegra: clique aqui
Mais outro do Prof Jayme Cury, Lívia Tenuta e Paulo Rédua: clique aqui
Falando na Branca… vcs já seguem “Crescer Sorrindo” do pessoal da UERJ? Tem no Face e no Insta! 😀

Portanto, queridos colegas odontopediatras que trabalham seguindo preceitos da Odontologia Baseada em Evidência (OBE), quando questionados por mães aflitas com essas informações, estejam seguros que a Ciência nos ampara para recomendar dentifrício fluoretado.

crianças grupo

No mais, a vida segue bacana: cheia de trabalho, de gente boa perto de mim e projetos que não acabam mais!!! Cursos programados, Dia do Bruxismo com agenda cheia, viagens marcadas, projetos para o Programa de Pós da Unicsul, organização do congresso SBDOF no ano que vem e por aí vai…

E assim vamos juntos nessa estrada do estudo: lendo, analisando, construindo e desconstruindo conceitos mas com muito discernimento e responsabilidade 😉

Até a próxima! :*

DB são paulo 4a. 3

 

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2 comentários sobre “Sobre flúor, saúde, pesquisas e redes sociais…

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