Colar de âmbar para quê mesmo?

Novamente recebi no consultório uma mãe que disse ter passado por uma colega Odontopediatra e que ela havia “receitado” um colar de âmbar para diminuir sintomatologia atribuída às irrupções de decíduos. O pior? Me perguntou o que achava do colar…
Respiro fundo, faço cara de paisagem e digo que não há comprovação nenhuma sobre esses efeitos e que, ao contrário, recomendo não usar tal apetrecho. Expliquei os motivos e deixei a mãe fazer uso do livre arbítrio que ela (ainda) pode exercer com seu filho.

Gisele-Bundchen-colar350
Até tu, Gisele?? Vou te contar, viu?

Agora é com vocês… Vamos lá, colegas!
– Por qual mecanismo biológico o âmbar poderia fazer efeito na fisiologia do bebê? Não existe nenhum mecanismo plausível descrito!
Sugiro que procurem o conceito de “plausibilidade biológica” e depois tentem dar justificativa embasada para a causa-efeito: colar de âmbar diminuindo sintomas.
Não irão conseguir… 😦
– Se você conhece mães que dizem ter melhorado com o colar, posso apresentar outras tantas que dizem que não teve efeito nenhum nos seus filhos.

raposas brigando
Melhora! Não melhora! Melhora! Não melhora! Melhora! Não melhora! Melhora! Não melhora! Melhora! Não melhora! Melhora! Não melhora!           E assim, as mães raposinhas viveram brigando para sempre… The End

Penso que a credibilidade da nossa Especialidade precisa ser reforçada a todo tempo e isso inclui a confiabilidade das informações prestadas! Não devemos cair nessa de “se bem não faz, mal não vai fazer…” pq isso vai de encontro à imagem embasada e séria que queremos para a Odontopediatria.
Não esqueçam: o lúdico é só na hora do condicionamento!!

Além disso, o colar de âmbar faz mal sim! A Sociedade Brasileira de Pediatria já há algum tempo se posicionou contra essa prática. Recentemente, a ABOPED também lançou uma nota sobre isso e o Prof Marcelo Bonecker também fez o alerta: clique aqui

colar aboped
Imagem da ABOPED sobre o tema. Sigam a ABOPED e compartilhem!

Mas e o que temos sobre isso na nossa querida Pubmed, sem precisar procurar muito??

Opa!! Uma pesquisa que avaliou colonização de bactérias em colares de âmbar…
32  espécies diferentes foram encontradas sendo uma média de 4 espécies por colar.  Staphylococcus epidermidis em 88.9% dos casos e em três crianças os pesquisadores encontraram staphylococcus aureus. Além disso, relato de impetigo em uma criança. 
Quer saber mais? Machet P et al. necklaces: reasons for use and awareness of risk associated with bacterial colonisation. Eur J Dermatol. 2016 ;26(6):580-585.

Existe um relato de estrangulamento não fatal e os autores discutem a indicação e a responsabilidade dos profissionais em recomendar o uso. Cox C et al. Infant Strangulation from an Amber Teething Necklace. CJEM. 2017;19(5):400-403.

Bem , então cabe aqui uma reflexão… Por que mesmo recomendar colar de âmbar?emoticon pensando

Vida que segue longe dos colares…
Então… vamos lá estudar mais DTM e Dor Orofacial em crianças e adolescentes? A oitava edição (nossa, jááá??) desse curso vem aí!! Eu e o meu querido amigo, o super Fausto Mendes, estaremos esperando vocês lá!
Antes disso tenho compromisso em Brasília a convite da Cibele Albergaria, para estar junto com Daniela Garib e Jorge Faber. “Cuidados precoces, sorrisos para toda vida”:  essa é a frase da Cibele ❤ Primeira vez com eles!! Ansiosa…  😀

E antes ainda disso tudo, Criciúma será a cidade que faremos o próximo Dia do Bruxismo! Eu e minha bruxpartner Juliana Stuginsky firmes, fortes e atualizadíssimas com o que a Ciência fala sobre bruxismo! 😀

E é isso, galera! Fechando o post e pensando que preciso de mais tempo p escrever aqui…   Até a próxima!! 😉 

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