Teste da linguinha: até que ponto é confiável?

O teste da linguinha é realmente confiável? Colegas da UERJ foram pesquisar o assunto…   E só hoje que vi um post da página Crescer Sorrindo da UERJ sobre esse trabalho! E olhem que bacana: elas receberam prêmio por ele na última reunião da SBPqO! Aeeee!! 😀 ).
MUITO importante se informar e refletir sobre o assunto…

A pesquisa  avaliou a confiabilidade e validade do teste e os resultados obtidos no estudo determinaram algumas implicações clínicas sobre o teste da linguinha:
1 – Modelo para triagem não contempla a avaliação da sucção
2 – Resultado estável requer treinamento exaustivo
3 – O instrumento não parece ser capaz de medir o que se propõe a medir
4 – Considerar sobretratamento e possível efeito nocebo  
OBS – Não sabe o que é nocebo? então clique aqui  😉

Sociedade Brasileira de Pediatria já havia divulgado nota de esclarecimento em 2014 sobre o assunto. Os autores do documento contestam a lei e uma das questões levantadas pelo Departamento de Neonatologia é que:
“O projeto de lei foi baseado em um ensaio clínico realizado por fonoaudiólogas da Faculdade de Odontologia de Bauru, especialistas em motricidade orofacial, que analisaram 10 recém-nascidos a termo e publicado na revista CEFAC. 2012 Jan-Fev; 14(1): 138-145. “
Ou seja, eles questionam também o respaldo científico da avaliação clínica que virou lei.

Atenção!! Ninguém está discutindo a importância incontestável e absoluta do aleitamento materno e que a frenectomia deve ser realizada no bebê que precisa. 😀

amamentar
Para analisar…
– O teste preconizado por lei para está sendo adequado?
– O teste não pode estar levando a sobretratamento?
– Será que a conduta da mínima intervenção está sendo adotada nesse caso?

Uma outra questão importante para a gente pensar:
– O teste da linguinha é lei  e, portanto, demanda verbas públicas para que seja cumprido… Sem duvidas ele precisaria ser um instrumento validado de forma adequada para realmente trazer benefícios ou então estamos empregando verbas indevidamente.

Resumindo: estamos falando de possíveis custos biológicos e financeiros desnecessários.

Transcrevo aqui as palavras da Profa Branca Vieira e que acho importante a reflexão:
Considero importante no entanto destacar que devem ser realizados outros estudos, com outras populações, em outras circunstâncias, para que se possa conhecer melhor as propriedades do instrumento e, inclusive, aperfeiçoá-lo, se for o caso. Por outro lado, eu acho pertinente ressaltar um outro aspecto extremamente importante neste debate. Antes mesmo de discutirmos se o teste é ou não válido e confiável precisamos estabelecer se ele é necessário. Anquiloglossia é mesmo um problema que interfere negativamente com a amamentação? Se é, o tratamento precoce (frenotomia) é eficaz para reduzir o prejuízo à amamentação decorrente da anquiloglossia? E mais, se esse tratamento é eficaz, o benefício que ele proporciona supera os potenciais riscos? Tudo isso ainda precisa ser estabelecido através de ensaios clínicos controlados randomizados bem desenhados.”

Como eu não pesquiso essa área, fico aqui curiosa assistindo a evolução das Evidências no assunto, que vem de pesquisas de colegas competentes, sérios e isentos. Como por exemplo… o pessoal da Odontopediatria da UERJ!!  Parabéns pelo prêmio!! 😀

E #vamoquevamo seguindo estudando e evoluindo pq a Ciência é prá lá de dinâmica!!!

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11 comentários sobre “Teste da linguinha: até que ponto é confiável?

  1. Lúcia de Fátima Almeida de Deus Moura disse:

    Coordenamos um projeto de atendimentos de bebês desde 1997 – Programa Preventivo para Gestantes e Bebês (PPGB), no qual já atendemos mais de 18.000 crianças pois as ações são desenvolvidas no Instituto de Perinatologia Social do Piauí onde o fluxo de crianças é muito alto. O que temos observado ao longo dessa trajetória é uma baixa prevalência de anquiloglossia. Quando começou o destaque e obrigatoriedade do “teste da linguinha” decidimos fazer um estudo de prevalência que está em fase de conclusão mas que podemos antecipar que a prevalência é muito baixa. Como diagnóstico utilizamos dados clínicos como mobilidade e inserções lingual, com o bebê chorando. Os casos dúbios filmamos e fazemos calibração entre cinco professoras, especialistas em odontopediatria, da Universidade Federal do Piauí e que atuam no referido projeto.

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    1. adrianaliraortega disse:

      Olá Lúcia, os dados que vcs estão trabalhando certamente irá acrescentar muito nessa discussão. Tenho acompanhado o trabalho de vcs no Piauí e fico muito feliz em ver as conquistas!! Um grupo que vem cada vez mais ganhando espaço e reconhecimento de todos pela seriedade e empenho. Parabéns pelo trabalho e obrigada pela sua leitura e participação aqui no blog. Fiquei muito feliz e honrada. Gd abç p todos vcs!!!

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  2. Rosana Gama disse:

    Totalmente confiável ! Até que a ciência nos prove o contrário.
    Agradeço à Dra Roberta Martinelli por grande dedicação na pesquisa do frênulo lingual.
    E a você em nos persuadir , nos fazer pensar com os resultados que vocês pesquisadores nos apresentam !!!!
    Grande Abraço!!!

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  3. sylvia lavinia martini ferreira disse:

    Dois documentos recentes, muito bem elaborados e que merecem leitura.
    file:///C:/Users/Clinica%20II/Downloads/PTC_Anquiloglossia_com_capa%20(1)%20(2).pdf

    file:///C:/Users/Clinica%20II/Downloads/NOTA%20TECNICA%20No09%20TESTE%20DA%20LINGUINHA.-01-04-2016%20(1).pdf

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